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You’ll Never Walk Alone: hino da torcida embalou glórias, grandes viradas e tragédia do Liverpool

Fonte: GloboEsporte.com, 18/12/2019

Mesmo com os jogadores em campo, os holofotes se viram para as arquibancadas. Antes de a bola rolar, a torcida canta a plenos pulmões a música que virou uma espécie de hino do Liverpool: You’ll never walk alone (YNWA), que em português significa “Você nunca andará sozinho”. Trilha sonora das glórias e também da maior tragédia do clube, a canção certamente vai embalar os Reds no Catar em busca do único título que falta ao clube.

Os meninos de Liverpool

A origem da música não tem nada a ver com o futebol. Ela foi composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein para o musical Carroussel, encenado nos Estados Unidos em 1945. A peça virou filme, atravessou o Atlântico e encantou a banda que levaria Liverpool pela primeira vez ao topo das paradas de sucesso na Inglaterra. Nada de Beatles, mas sim Gerry and the Pacemakers.

Gerry Marsden e seus parceiros tinham o mesmo empresário de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr e disputavam a preferência do público inglês no início dos anos 1960. Emplacaram várias músicas no topo das paradas musicais. Mas nenhuma delas chegou perto do fenômeno que YNWA, regravada por eles, se tornaria.

– Isso era quando eu costumava ficar em pé na arquibancada de Anfield, a Kop, com 28 mil pessoas num pedaço do estádio, e a gente cantava You’ll Never Walk Alone. E era o hino mais maravilhoso… Sim, ainda é fantástico agora, incrível, mas lá atrás se você vir as imagens daqueles 28 mil de um lado pro outro, pra cima e pra baixo, pra frente e pra trás, era incrível – disse Phil Thompson, capitão do Liverpool nos anos 80.

A tragédia que deu novo significado à música

Há 30 anos o ex-zagueiro e outros milhares de torcedores não conseguem ouvir a música da mesma forma. A maior tragédia do futebol inglês aconteceu em 15 de abril de 1989, numa semifinal da Copa da Inglaterra entre Liverpool e Nottingham Forrest, outra potência da época. Uma série de falhas da organização e da segurança responsável pelo evento culminou na superlotação de uma das arquibancadas, e 96 pessoas morreram.

Liverpool ficou de luto, e a música serviu de alento para os sobreviventes. Uma aproximação das origens da criação da mesma, uma vez que, na peça Carroussel, ela servia para encorajar os demais personagens a seguirem em frente após a morte do protagonista.

– Eu estive nos funerais. Quando eu estava nas arquibancadas era uma canção de batalha, um brasão de guerra, de quando estamos indo à luta. Agora é mais emocionante. Me deixa… Eu não consigo terminar a música porque me faz lembrar mais de Hillsborough do que do time em si – disse Thompson.

No dia 28 de novembro deste ano, o chefe de polícia responsável pela segurança da partida, David Dukenfeld foi inocentado da acusação de homicídio culposo por negligência grave, que poderia render-lhe prisão perpétua. Decisão que revoltou as famílias das vítimas e sensibilizou toda a comunidade.

Uma semana depois, no clássico contra o Everton, a execução da música foi acompanhada de um pelo mosaico na Kop. O número 96, em alusão às vítimas, estava entre as letras YNWA, iniciais que se popularizaram entre os fãs tanto quanto a melodia.

Combustível para grandes viradas

Steven Gerrard perdeu um primo na tragédia de Hillsborough, quando ainda era um menino. Cria das categorias de base, tornou-se um dos lendários capitães da história do clube, com forte identificação com a torcida e com a cidade. E sentiu o poder de YNWA numa das grandes conquistas de sua geração, a Liga dos Campeões em 2005.

– Você está perdendo de 3 a 0. Seu sonho está em frangalhos, você está esperando pelo apito no fim do primeiro tempo e imaginando uma grande vaia. Você os decepcionou, você se decepcionou, não conseguiu jogar durante 45 minutos.
E você escuta You’ll Never Walk Alone, talvez a mais alta e mais emotiva versão que eu já ouvi como jogador – disse Gerrard, em depoimento ao documentário Walk On, da BT Sports.

Foi o próprio capitão quem marcou o primeiro gol da reação. Smicer e Xabi Alonso marcaram na sequência, e em seis minutos (dos 54 aos 60) o Liverpool tinha conseguido o empate. A disputa foi para os pênaltis, e o clube inglês venceu por 3 a 2. Foi o quinto título dos Reds na Liga dos Campeões.

No título da temporada passada a música também uniu jogadores e torcida nas semifinais. Depois de perder por 3 a 0 em Barcelona, o Liverpool precisaria no mínimo igualar o placar para forçar os pênaltis. O time foi além.

Com gols de heróis improváveis, Origi e Wijnaldum, duas vezes cada, o time eliminou Messi, Suarez e companhia e avançou à decisão pelo segundo ano seguido. Ao fim do jogo, o elenco se abraçou, perfilado, para cantar com os fãs em Anfield.

– É realmente emocionante. É algo ao qual você não se acostuma. Toda vez que os torcedores cantam você fica arrepiado. É como se você ouvisse uma música nova, uma vez depois da outra. É incrível, eu nem tenho as palavras para isso. Mas é o que eu disse, você não se acostuma porque é muito boa – disse Wijnaldum.

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